O Cálice e o Labirinto
Carta 03
Latas Vazias Podem Vir Cheias de Surpresas
Latas Vazias Podem Vir Cheias de Surpresas
Já fui a melhor versão de mim mesmo e deixei que a mesma fosse embora pelas escolhas erradas que eu mesmo fiz. Sim, fiz. Deixei escorrer o melhor de mim por entre meus dedos e paguei com juros essa errada decisão. Outra gota de sangue escorreu daquela mesma ferida, onde foi que se perdeu a razão da minha vida?
Em um segundo, tudo mudou. Aquela lágrima voltou a cair e nada mais fez sentido. Aquele cálice remendado de cristal? Este sou eu também, torcendo para ser segurado com a força certa para não se quebrar.
Mil milhas daqui, trezentos quilômetros dali, já não é tão longe para mim. Não existem mais distâncias que valem a pena ser contadas. Andar em círculos faz com que cansemos sem que saiamos do lugar; eu vivi assim, você está vivendo assim. Dois oceanos, agora, tornaram-se duas quadras de distância; quatro horas não passam de meros minutos; tudo, desde que o destino seja você.
Já estive pronto, por um tempo. Hoje recomponho-me de alguma forma para tentar ser o melhor de mim, para tentar encontrar o melhor de mim. Não, não tenho pressa, posso esperar.
A estrada é longa, seu tempo é curto, o meu tempo é longo, seus sonhos são altos, os meus mais ainda. Acharemos a intersecção perfeita entre tudo isto ainda e, sim, testemunharemos o milagre. Hoje eu sei que jamais estivera atrasado. Hoje eu sei que a bagagem não é tão pesada quando se carrega em duas pessoas. Hoje eu sei que até as latas vazias podem vir cheias de surpresas.

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