O Cálice e o Labirinto: Carta 05 - Eu sou a certeza da incerteza, a constante da inconstância, a mudança do imutável e a razão do irracional
O Cálice e o Labirinto
Carta 05
Eu sou a certeza da incerteza, a constante da inconstância, a mudança do imutável e a razão do irracional
Eu sou a certeza da incerteza, a constante da inconstância, a mudança do imutável e a razão do irracional
Madrugada. A vida noturna é a que me agrada e sempre me agradou. Sempre estive nela e ela em mim. A luz da lua sempre foi minha companhia para escrever, para conversar, para ser eu mesmo. Quem sou eu? Apenas o que sobrou dos cacos que um dia estiveram pelo chão. Perdi algumas peças (talvez as melhores) mas ainda estou aqui.
Faço parte dos escombros que criei. Criei problemas em minha mente que poderiam não existir se eu tivesse feito a escolha certa. Criei problemas em minha mente por querer uma vida que talvez não valesse a pena. Criei problemas que eu mesmo não tinha forças para resolver. Estive preso em garras, em uma caixa em formato de coração, e não conseguia sair. Eu gritava, mas ninguém me ouvia. Por quê?
Criei abismos tão profundos que jamais saberei se terão saída. Estou dentro dele ainda? Gostaria de vomitá-los, gostaria de me encontrar, ser a melhor versão de mim. Quem sabe um dia? O jogo ainda não acabou.
Ouço tiros. Há uma guerra dentro de mim. Quem eu era brigando com quem eu sou. O sentimento em carne viva, em alta pulsação, à flor da pele, contra a razão, contra a vida centrada e a fuga. Sou a fuga de mim mesmo.
A certeza de todas as incertezas sou eu. Não há verdades absolutas, escolhas certas, lado correto para se andar ao meu lado. O que sobrou de mim é isso.
A constante de qualquer inconstância sou eu. Altos e baixos a todo momento. O que seria? Conseguir tocar o céu estando com os pés no chão; tocar as estrelas e cair no inferno: tudo agora e ao mesmo tempo, a certeza de não estar certo ou de saber que sempre haverá uma aventura, um livro novo a todo momento. Sou uma obra incompleta, um filme sem final.
A mudança do imutável se encontra nas minhas ações. Tenho vivido outra vida, quem sou eu? Consigo me encontrar? Algum espelho por perto para que eu possa me enxergar? Alguma janela para que eu possa ver a luz? É como segurar a lua em minhas próprias mãos, é como querer mover as paredes de um castelo apenas empurrando-as. Sou um castelo de cartas pronto para ruir.
Como não ser a razão do irracional? Como não procurar as respostas? Como não ir a fundo dentro dos meus sonhos? Por que não ser livre para voar? Pensar, pensar, querer encontrar a saída do labirinto. Há alguma porta para fugir? Tenho que viver com todos estes fantasmas aqui? Pensar, refletir, respirar toda a verdade na certeza de buscar sempre ser o melhor que puder, a melhor versão de mim mesmo. Pensar a ponto de fazer sentido cada passo, cada momento, cada amanhecer, cada lua, cada estrela, cada caminho, cada direção, cada escolha. O que eu queria era ver o mundo todo diante dos meus olhos, pensar como seria a perfeição, tocá-la, respirá-la e, enfim, fazer a escolha certa: ser feliz.

Comentários
Postar um comentário