O Cálice e o Labirinto
Carta 01
A Volta do Ponteiro Maior
Talvez fora um dos meus primeiros erros na vida, mas certamente longe de ser o último. Assim como errei ao trocar a chance de passar alguns momentos com meus amigos para jogar algum videogame tolo, ou quando errei em uma partida de futebol a chance de empatar o jogo e chutei nas mãos do goleiro. Errei. Mas, era jovem, difícil querer que eu acerte. Impossível.
O mais difícil de escolher não é conviver com a escolha, é saber que você perdeu todas as outras possibilidades. E perdi uma que talvez tenha encontrado uma década depois. Será que agora é muito tarde?
Noite fria, madrugada, um dia estranho, diferente; mas pode ser que eu venha a não estar mais só. E se eu não quisesse ouvir você hoje? Um minuto seria o bastante para entender? Mas eu quero, não posso negar. Porém, o que será que tem para se encontrar? Eu quero descobrir, quero escolher certo desta vez; quero encontrar e não perder jamais. Não posso errar agora. De novo, não.
Uma chance de conversar algo interessante, de rir de verdade, de ser eu mesmo sem me importar ou ter medo do que falar. Quero poder ser o exagero das palavras sem medo de ser taxado de dramático; ser irônico sem medo de ser grosso; ser sincero sem medo de falar algo errado ou ser mal interpretado. Preciso de uma chance de me transbordar de mim mesmo e sorrir por isso, uma chance de me encontrar em uma boa conversa. Hoje consegui. Sim, estou atrasado, eu sei. Mas, se eu tiver um pouco mais de tempo, talvez tudo se ajeite. Posso tentar?
Não, não sou tão otimista assim, todavia sempre existem coisas novas para se viver, não? Hoje me disseram isso, gostaria de acreditar, quero acreditar, preciso acreditar. A novidade, então, pode ser agora, não? Eu me encontro entre escombros de uma antiga demolição, porém pode ser que tudo se restabeleça em algum momento, há uma chance, há uma escolha (não só minha desta vez). Você tem medo? Você sabe escolher bem? Sabe de quanto tempo precisa? Quanto tempo você tem para escolher? Um minuto é muito pouco? Talvez não muito. Você já sentiu o barulho do ponteiro do relógio tocando seu coração? É a hora da escolha? Talvez não necessariamente imediata, mas pode ser que não haja tanto tempo assim, pelo menos não mais.
Quer acreditar no novo agora? Posso ser uma viagem longa, louca, porém proveitosa. Disse posso? Não, podemos. A única certeza é que você não seria apenas mais uma, isso jamais.
Não é o bastante? Então me faça acreditar que ainda existe um horizonte onde eu possa voar mais alto. E, sim, eu quero voar! E se for para escolher errado: que escolhamos juntos! Afinal, é uma década que ficou para trás, há muito o que conversar, muito mesmo. Então, escolha o seu cálice e beba para encontrar a saída; o meu já está em minha mão.

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